quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Nostalgia

A vida é mais bonita do outro lado do rio.

Faz-me um poema com este verso
Atravessa-me a nado
Mergulha-te por um itinerário disperso
Estrofe atrás de estrofe
Explora este triste fado
Escoa-me para o outro lado
Onde este coração não sofre
Onde não existe inverno.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Almando

  Eu gosto muito da palavra "alma". Quase que nem soa a palavra. Soa a algo etéreo, alado, amoroso, carente, sensível... Em quase todos os meus poemas a refiro. A alma é linda. É para ser amada. Mas juro a pés juntos, com todo o meu ser, que não conheci alma que merecesse mais ser amada e acalentada que a dele. De espírito corrompido, ele tenta reerguer-se e ser feliz. Ser real. E eu quero tanto estar do outro lado da estrada com ele, de mãos dadas e de almas dadas, a ajudá-lo.
  Eu não sei que espécie de vontade e sentimento são estes, pois nunca os senti... Contudo, acolho-os com todo o carinho. Também a esta vontade dou a mão e deixo-a percorrer os mais recônditos cantinhos de mim.


Acróstico musical

A melodia que da tua alma sai
Nada pelo meu corpo como um arrepio
Apanha-me completamente desprevenida e

Momentâneos segundos sinto-me em sintonia contigo
Estamos como um só numa música que é só nossa
Somos energias flutuantes, dançantes, amantes
Trememos com um toque
Registamo-nos um no outro
Enquanto o meu coração abraça o teu devagarinho

Mandas o tempo parar apenas com as tuas mãos
Incrivelmente, ele cede e o mundo deixa de existir
Gastamos essas frações de momento
Unidos
Em almas desmesuradamente
Luxuriantes

Foi nesta noite e neste dia que
O meu ser deixou de obedecer às leis da razão
Ri-me, despreocupadamente nervosa
Mas afinal que sentimento poderoso é este?
Intrinsecamente esculpido dentro de mim
Golpeada fui, sem volta a dar
A manhã nasceu e dei por mim a te amar





domingo, 22 de maio de 2016

Prazer em conhecer-te

Dança coreografada pelo momento repentino
Nascido dos nossos corpos unidos
Em constante movimento
Num enlaçar que é só deles

Duas mãos a amarem-me veemente
Elas levam-me a viajar pelos caminhos traçados
Dos sopros que deixas escapar
E que pelas minhas costas escorregam

O mundo viu-nos a primeira vez assim
E nós vimos-nos verdadeiramente da mesma forma
Conhecendo as realidades ilusórias e as verdades nuas
Escorre uma lágrima, chega um sorriso, termina num abraço

Olá, esta sou eu. Olá, este sou eu.
E nós amámos-nos na infinidade daquele instante.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Este é para ti.





Fomos ver o mar e voltámos
O sol entrou em nós e irradiou
Com ricochete brilhámos mais fortemente
Soltei o cabelo despreocupadamente
Para ele ir dançando com o vento
Que afagava cada fio que percorria.




Fomos ver as flores e voltámos
O cheiro a pólen ficou em nós
Cada um, na sua algibeira, carregou um pouquinho de felicidade portátil
E no meu colo, impulsivamente, descansaste os problemas da vida
E os aromas relembraram-nos… A Primavera chegou!










Fomos ver um lago e voltámos
Em brincadeiras tontas, ingénuas e à nossa maneira
Mergulhámos em jeito de queda na água dos patos
Rindo como se não houvesse mais nada que aquele momento
Por segundos, esquecemos que nos tínhamos encharcado
Ainda assim, fomos por aí pingando, sorridentemente.








Fomos ver um ao outro, mas não voltámos
Duas almas que se descobriram
E que adicionaram algo uma à outra
Ups…
Foi sem querer!






PS: A culpa é do sofá.






Pinto-te

Pintas-me dançando nas nuvens
O cabelo preto esvoaça pela inocência do azul
Esfumas a minha essência pelos céus fora

Invejoso de tão jocosa existência minha
Pintas-te a meu lado
E ambos rodopiamos ao som da brisa que corre
Entre gargalhadas tímidas fazemos uma vénia
Continuando a passear itinerário fora

No horizonte um velhote ouve risos distantes
Carícias trocadas sem malícia
Juventude e mãos que se entrelaçam
Laços que na história ficam

Oh! – suspira ela
Pinta-me mais… Salpica um arco-íris em mim
E vem viver comigo neste quadro tão bonito, delicado, feliz
Que para mim te tanto dedicaste a fazer

Ah! – rejeita ele.
Mas minha querida… Apenas tu poderás habitar tal cenário
Eu sou só mero caminhante que, de vez em quando, passeia contigo
Por aí, despreocupado, sorridente, cedendo a teus desejos

Ainda tenho de aprender a pintar-me permanentemente contigo
Embora consiga contemplar esse paraíso
Por enquanto, sou servo da realidade

quinta-feira, 17 de março de 2016

Quem corre por gosto, não cansa

Pela tua doce face escorrem
As lágrimas que juraste que nunca costumam escorrer
E eu amo-as.
Amo as tuas lágrimas como se fossem minhas. Porque sinto-as.

Um beijo nesta lágrima, um carinho com a minha mão noutra que está a cair.
É isso. É isto. Amo as tuas lágrimas, amo a tua dor, amo a tua parte menos positiva; porque elas também são tu. Elas também já foram eu. E por isso, estou aqui. Estarei aqui.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Sobre realização pessoal.

Isto é viver.



To Embrace

Existências vãs consequência de
Olhares mal compreendidos
Na sua vulnerabilidade pura

Um aperto perpetuador
Reside na essência do seu ser
De quem não foi ouvido, de quem não consegue viver

Nuvens pesadas atormentam-no
A cada segundo da sua permanência
Neste impiedoso mundo.
A cada fôlego que tenta inspirar
Dióxidos de carbono carregados de incerteza, negrume, desilusão
Violam-lhe os pulmões

Flui pela sua corrente sanguínea
Essa substância tóxica
Que não o deixa ser
Que não o deixa resplandescer

Quebra as correntes dos traumas que te pesam
Derruba os muros das existências que já passaram
E que não voltarão
Deixa-te respirar.

Respira fundo.
Sai do poço.
Dissolve as nuvens.
Espanca os medos.
Abraça o mundo.
Abraça a vida.
Acima de tudo:



Abraça-te.

Feito por mim. 14/03/2016


sexta-feira, 11 de março de 2016

27 de Julho de 2013

Tira-me as palavras que eu gosto

Sela o meu pensamento com um último beijo teu

E segura forte este momento

Em que nada resta na minha mente

A não ser a melodiosa imagem tua

A tocar guitarra despreocupado de todo o mal que te persegue

E eu dançando descalça na relva, ao sol

Oh! Calma! Tudo se resolverá!

Não deixes medos bobos apoderarem-se do teu ser

Apenas continua a tirar-me as palavras

Com um simples misterioso olhar teu

E tudo de novo parecerá como naquela tarde

Em que eu balançava e rodopiava

Ao som da magia que saía das tuas mãos.




Para Valdemar.

(des)intoxiquemo-nos

https://www.youtube.com/watch?v=8i9vEBWnu9I



Observo-te na tua mais pura essência
Escalo-te o ser
Caio e em jeito de dança fluímos





Quero-te aqui, quero-te perto
Mas cegamente alimentamo-nos desta droga
Potencialmente perigosa
Que ao acharmos que nos aproxima
Só nos afasta
Contudo... Extasiados dependentes
Nem queremos saber de possíveis consequências
O mundo é nosso
E flutuamos nesta espécie de obsessão


Até que,

A realidade chamou. Os danos foram feitos. Errei, errei, errei. Perdoa-me.
Deixa-me continuar a fazer do teu corpo arte.
Desejo ser o pincel para a tela que és.
Onde estás? Onde vais?
Será que mergulhámos demasiado fundo
E te afogaste?



NÃO.

Volta. Renasce. Ressuscita em mim. Fisicamente e moralmente, nada mais importa.
Embora a razão me diga o contrário, a abstinência de ti descontrola-me.





Eu não te queria magoar. [6:53]. Eu amo-te.
Talvez não da maneira mais certa... Mas da maneira que eu sei.





E tudo volta ao mesmo. Acordamos mais uma vez. A lou(cura). Quero recomeçar.


Desatemos os nós que criámos erroneamente no fogo da paixão inepensada.
E assim apenas restaremos nós. Tu. Eu.
E o amor Cru. Nu. Puro.

quarta-feira, 9 de março de 2016

08/03/2016

Tardes de sol e música que ascende
Jogos onde perdura a infância
Misturados com a não-tão-ingénua
Característica meio fingida
De que ti um selar almejo

Selar de beijo
Selar de medos

Confrontados, afastados, ensinados.

We decide consciently to embrace our desires, not letting them to take control over us. As we walk carefully and joyfully this path, suddenly we realize that we have been lost in laughs and hugs, but still aware that I am Me and You are You.

Haverá maneira mais bonita de co-relacionar-se com alguém?

sexta-feira, 4 de março de 2016

Ébrias horas Pt. II

Que sensações levam-te à loucura? 
Que significados têm as tuas subtilezas? 
Que força superior te deu esse charme carismático, 
De quem a qualquer um encanta, 
Só com um sorriso de esguelha? 

Quem te levou a ser quem tu és? 
Quem és tu? E quem sou eu? 
Ah, só nos sabemos pela vida o que descobriremos 
Aquilo a que nos submeteremos 
Aquilo a que evoluirmos 
Será temporariamente o fôlego de um sopro nosso 
Que pela eternidade não durará 

A vida é feita de momentos 
Momentos, nem todos racionalizados 
É aí que reside a loucura 
A felicidade 
O amor doido 
Reside-nos inerentemente o impulso de sermos fugazes 
Deixa que esse fogo breve te domine 
Por uns segundos 
E verás que a vida não te decepcionará 
Nem que seja por esse milésimo de segundo 
Em que dois corações se encontrarão 
Timidamente já em sintonização

Ébrias horas

Sinto ondas de emoção 
Que me assoberbam de tal maneira 
Que não há forma de as acalmar 

Não quero que te preocupes 
Não quero que te reprimas
Abre-te à vida 
Abre-te ao que ela te pode oferecer 
As tuas inseguranças não te dominam 
Os teus medos são só ilusões 
O dono de ti és tu 

Diz-me, por favor, diretamente 
Aquilo que te vai no coração 
Sem sobre-pensar no assunto 
A vida também é feita de impulsos 
E frases ditas sem querer 
Mas que na verdade querem ser ditas 

Diz-me o que vai na alma 
Do que tens medo, de quem te partiu o coração 
Eu oiço com atenção 
E dou-te toda a guarida 
Que nunca pensaste receber 

Sim, eu sou plena por mim mesma 
Não quer dizer que tu não me faças falta 
Vejo-te como ninguém vê 
Quero-te como ninguém te quer 

Sou índole vagueante pelas ruas do mundo 
Que ao acaso se cruzou com a tua 
Quais as coincidências de duas tão semelhantes e diferentes ao mesmo tempo 
Se sintonizarem em tão pouco tempo? 

Que estranho sentimento é este que me vem à garganta 
Uma espécie de grito sufocado 
Pelo aperto saudouso 
Do teu abraço 
Tão longamente desejado 
Que um dia um beijo nosso 
Seja toda a explosão de amores 
Que alguma vez idealizei 

É o meu sonho 
Um sonho irreal 
Um sonho sonhado 
Por quem anda pela vida 
À espera de ser encontrado

domingo, 28 de fevereiro de 2016

É uma questão de sobrevivência

Hoje vou-me afogar em música
Para não me afogar nos espaços conceptuais em branco que deixaste em mim.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Corrente de pensamentos espontâneos (produto de debates estimulantes)

3 WAVES

  What makes shadows different from the waves from a cat walking through the city?
  And subjects like sex and violence are keywords to spontaneous metaphores.
  Are psychological ideas only images of reflections?
  Awareness and senses combined endanger our stories. We clash. We are being robbed.
  Improvised faces, explicit souls.
  Freedom is a social construction. They inject the longing for independence in our minds.
  We struggle. We beat and are beaten. This is all an artistic way of exposing shadows.
  Abandon the masses and try to discover your own self in this mercyless world.

  This is a new dawn.


  We still fail to perceive the major importance of being.
  That's the thing about shadows: it's about real people and real life.
  Think of human condition, think about the ways we are objetified.
  It's a vicious circle. They don't seem to find a way. Failed characters become independent successful humans. We study them. We are them.
  Rain pores above us all. But for some, the rain is heavier. This weight we carry is a benefit. It grows us.
  There's a connection between everything. We wander around desperate for an answer. We crawl a path of undesired love. We use jazz. We use improvisation. References to death. Our whole life we go through volatile periods. The world is in crisis. We are in crisis.
  There's a million voices inside our heads and all around us. Which one do we follow?

  This is all a question of identity.

Impulsos de poetisa

Eu não sei se não sei 
Ou se não quero admitir
Que por ti o meu coração anseia. 

Estou numa trama tempestal comigo mesma 
Entre o descobrir ou não descobrir 
Se quero descobrir-te 
Se quero cobrir-te. 

Mente envolta em mil furacões 
Que me querem levar para junto de ti 

Mãos que se tivessem pernas corriam de relance para as curvas suaves da tua face docemente sorridente. 
O teu aroma ainda vive em mim. Este fogo misterioso que me habita decidiu alimentar-se dele. E fazer-me desejar-te inimaginavelmente mais. E mais. E mais.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Significados por encontrar. Exploração nua da alma

Caído no chão
Foi encontrado o cigarro que ela deixou
Na rua dos amores perdidos e das flores mortais
Solo enigmático aquele
Em que a vida dela desabou
Sem que os olhos pudessem ver
Sem que a índole pudesse sentir
Expirada de fôlego
Não se pôde reerguer
De longe um assobio chamou-a
Levantou-a, viajou-a
Foi arrastada sem pudor sem vontade
Num canto escuro, ali o vento misterioso que a trouxera
Abandonou-a mais uma vez
Não sem antes a ter abraçado
Para que lhe doesse ainda mais
A saída inexplicável imprevisível
De seres, de cigarros
Destinados a caírem no chão
E a lá ficarem.

Aqui jaz o cigarro da Ana. Aqui, ali, acolá jazz a alma dela.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Note to self

"Para quê correr ansiosa e esforçadamente em tantas direcções? 
 Com que esforço ou preocupação corre e chega a cada instante o rio ao mar?"

Thanks Miguel F.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Complexidades

Num mar de infinitas incertezas
Encontrámos um porto de abrigo comum
Entre risos e conversas confusas
Selámos o enigma e tornámo-nos num

Pouco sei de ti, mas mais almejo saber
Tudo acerca de ti aparenta exalar algo por desvendar
E há um desejo chato em mim de te decifrar

Duas almas elevam-se quando se encontram
Viajaste-me por um caminho só teu
Cheio de incógnitas, contudo, senti-me mais perto de ti
Num abraço que foi só meu

São noites imprevisíveis como esta de que é feita a vida
São de explorações por complexidades de que a minha índole se constrói
É de mim querer que em mil te desmanches
Que me mostres por trás da tua alma escondida
Fragiliza-te nos meus lábios
Vem...
Tenho algo semelhante para te mostrar
Também me queres desvendar?