sexta-feira, 17 de março de 2017

E irmos?

E irmos ver os filmes do Studio Ghibli na noite cerrada, enquanto me encosto no teu doce ombro?
E irmos assistir em cumplicidade silenciosa noites de poesia num bar no Cais?
E irmos por aí de mão dada perdidos por Benfica, debaixo de uma noite estrelada?
E irmos no teu carro rindo despreocupadamente ao som dos Blues e Baladas de outras épocas - épocas em que talvez as nossas almas se sentissem mais confortadas?
E irmos loucamente andando pelas dunas a caminho do mar, beijando sem fim?
E irmos ao Pingo Doce como da primeira vez e jogarmos às escondidas?
E irmos ao cinema duas vezes por semana: uma para devorar pipocas e consumir entretenimento e outra para sermos nós próprios a estreia um do outro?
E irmos ouvir The Smiths numa viagem aos cenários bucólicos chuvosos?
E irmos beber até que o riso transborde e acabemos numa loja de tatuagens?
E irmos aleatoriamente a uma clareira de mal-me-queres e dançarmos simbioticamente com os raios de sol que penetram na nossa pele?
E irmos apanhar um comboio, só porque o queremos apanhar e acabarmos num motel no meio duma estrada que levará a algures, mas nada importa: só o momento em que nos deleitaremos?
E irmos ao Japão de visita e acidentalmente lá ficarmos perdidos no meio dos templos, dos animes, dos arrozais e das árvores de cerejeira?
E irmos à neve e eu parar o carro à berma, arrastar-te pela mão e o braço para a manta branca que pelos nossos pés se estende?
E irmos de mala às costas pela América do Sul e em cada cascata que passemos, consumarmos o nosso fulgor?
E irmos para debaixo dos cobertores e almofadas depois de chegares do trabalho, aninhando na infinidade dos momentos?
E irmos, simplesmente? E irmos?