quarta-feira, 20 de abril de 2016

Este é para ti.





Fomos ver o mar e voltámos
O sol entrou em nós e irradiou
Com ricochete brilhámos mais fortemente
Soltei o cabelo despreocupadamente
Para ele ir dançando com o vento
Que afagava cada fio que percorria.




Fomos ver as flores e voltámos
O cheiro a pólen ficou em nós
Cada um, na sua algibeira, carregou um pouquinho de felicidade portátil
E no meu colo, impulsivamente, descansaste os problemas da vida
E os aromas relembraram-nos… A Primavera chegou!










Fomos ver um lago e voltámos
Em brincadeiras tontas, ingénuas e à nossa maneira
Mergulhámos em jeito de queda na água dos patos
Rindo como se não houvesse mais nada que aquele momento
Por segundos, esquecemos que nos tínhamos encharcado
Ainda assim, fomos por aí pingando, sorridentemente.








Fomos ver um ao outro, mas não voltámos
Duas almas que se descobriram
E que adicionaram algo uma à outra
Ups…
Foi sem querer!






PS: A culpa é do sofá.






Pinto-te

Pintas-me dançando nas nuvens
O cabelo preto esvoaça pela inocência do azul
Esfumas a minha essência pelos céus fora

Invejoso de tão jocosa existência minha
Pintas-te a meu lado
E ambos rodopiamos ao som da brisa que corre
Entre gargalhadas tímidas fazemos uma vénia
Continuando a passear itinerário fora

No horizonte um velhote ouve risos distantes
Carícias trocadas sem malícia
Juventude e mãos que se entrelaçam
Laços que na história ficam

Oh! – suspira ela
Pinta-me mais… Salpica um arco-íris em mim
E vem viver comigo neste quadro tão bonito, delicado, feliz
Que para mim te tanto dedicaste a fazer

Ah! – rejeita ele.
Mas minha querida… Apenas tu poderás habitar tal cenário
Eu sou só mero caminhante que, de vez em quando, passeia contigo
Por aí, despreocupado, sorridente, cedendo a teus desejos

Ainda tenho de aprender a pintar-me permanentemente contigo
Embora consiga contemplar esse paraíso
Por enquanto, sou servo da realidade