Criei este blogue como um espaço de reflexão, de despejo de sentimentos e devaneios, mas também, e acima de tudo, com o objetivo de me construir internamente. Só que, influenciada pelos repentinos e assoberbantes momentos de turbulência, deixei-me levar e fiz com que pelo menos metade do conteúdo aqui postado fosse "negativo". Escrevo entre aspas, porque acredito piamente que o que é "negativo" nunca o é a 100%. Do negativo sai sempre algo positivo, mesmo que na altura não vejamos prova disso. E neste caso, não foi excepção. Sem dúvida, essa "negatividade" toda que aqui foi exposta e que por mim foi sentida me levou a crescer e me levou a uma construção, não finita, mas bem mais sólida. E a minha única preocupação é que isso não transpareça para aqui. E é por esse motivo, que a partir de hoje, tentarei vir aqui mais vezes e envolver-me com uma escrita não só de refúgio de tempestades, como mau hábito que tinha, mas também como uma escrita de partilha, de aceitação, de felicidade e genuinidade.
Passar de uma Des(construção) para uma verdadeira (Des)construção.
A destruição sem vista ao fim já passou.
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
domingo, 4 de junho de 2017
Ensaio Sobre a Ansiedade
Sinto que vou vomitar um choro
Um choro que está preso nos meus confins
Uma angústia que me habita e visita permanentemente
Também o meu cérebro grita em sufoco
Porque é que eu sou assim?
Pára!
Estás-te a afogar internamente e não há bóia salva-vidas que te resgate
Tu tens que ser a tua bóia
Aproveita o teu coração já desfeito e transforma-o em colete
Reza para que seja seguro, que te conforte e te dê alento
Caso contrário já não tens lugar neste mundo.
A maré está alta.
Um choro que está preso nos meus confins
Uma angústia que me habita e visita permanentemente
Também o meu cérebro grita em sufoco
Porque é que eu sou assim?
Pára!
Estás-te a afogar internamente e não há bóia salva-vidas que te resgate
Tu tens que ser a tua bóia
Aproveita o teu coração já desfeito e transforma-o em colete
Reza para que seja seguro, que te conforte e te dê alento
Caso contrário já não tens lugar neste mundo.
A maré está alta.
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| 4/6/2017 |
sexta-feira, 17 de março de 2017
E irmos?
E irmos ver os filmes do Studio Ghibli na noite cerrada, enquanto me encosto no teu doce ombro?
E irmos assistir em cumplicidade silenciosa noites de poesia num bar no Cais?
E irmos por aí de mão dada perdidos por Benfica, debaixo de uma noite estrelada?
E irmos no teu carro rindo despreocupadamente ao som dos Blues e Baladas de outras épocas - épocas em que talvez as nossas almas se sentissem mais confortadas?
E irmos loucamente andando pelas dunas a caminho do mar, beijando sem fim?
E irmos ao Pingo Doce como da primeira vez e jogarmos às escondidas?
E irmos ao cinema duas vezes por semana: uma para devorar pipocas e consumir entretenimento e outra para sermos nós próprios a estreia um do outro?
E irmos ouvir The Smiths numa viagem aos cenários bucólicos chuvosos?
E irmos beber até que o riso transborde e acabemos numa loja de tatuagens?
E irmos aleatoriamente a uma clareira de mal-me-queres e dançarmos simbioticamente com os raios de sol que penetram na nossa pele?
E irmos apanhar um comboio, só porque o queremos apanhar e acabarmos num motel no meio duma estrada que levará a algures, mas nada importa: só o momento em que nos deleitaremos?
E irmos ao Japão de visita e acidentalmente lá ficarmos perdidos no meio dos templos, dos animes, dos arrozais e das árvores de cerejeira?
E irmos à neve e eu parar o carro à berma, arrastar-te pela mão e o braço para a manta branca que pelos nossos pés se estende?
E irmos de mala às costas pela América do Sul e em cada cascata que passemos, consumarmos o nosso fulgor?
E irmos para debaixo dos cobertores e almofadas depois de chegares do trabalho, aninhando na infinidade dos momentos?
E irmos, simplesmente? E irmos?
E irmos assistir em cumplicidade silenciosa noites de poesia num bar no Cais?
E irmos por aí de mão dada perdidos por Benfica, debaixo de uma noite estrelada?
E irmos no teu carro rindo despreocupadamente ao som dos Blues e Baladas de outras épocas - épocas em que talvez as nossas almas se sentissem mais confortadas?
E irmos loucamente andando pelas dunas a caminho do mar, beijando sem fim?
E irmos ao Pingo Doce como da primeira vez e jogarmos às escondidas?
E irmos ao cinema duas vezes por semana: uma para devorar pipocas e consumir entretenimento e outra para sermos nós próprios a estreia um do outro?
E irmos ouvir The Smiths numa viagem aos cenários bucólicos chuvosos?
E irmos beber até que o riso transborde e acabemos numa loja de tatuagens?
E irmos aleatoriamente a uma clareira de mal-me-queres e dançarmos simbioticamente com os raios de sol que penetram na nossa pele?
E irmos apanhar um comboio, só porque o queremos apanhar e acabarmos num motel no meio duma estrada que levará a algures, mas nada importa: só o momento em que nos deleitaremos?
E irmos ao Japão de visita e acidentalmente lá ficarmos perdidos no meio dos templos, dos animes, dos arrozais e das árvores de cerejeira?
E irmos à neve e eu parar o carro à berma, arrastar-te pela mão e o braço para a manta branca que pelos nossos pés se estende?
E irmos de mala às costas pela América do Sul e em cada cascata que passemos, consumarmos o nosso fulgor?
E irmos para debaixo dos cobertores e almofadas depois de chegares do trabalho, aninhando na infinidade dos momentos?
E irmos, simplesmente? E irmos?
domingo, 26 de fevereiro de 2017
Inquieta
Inquieta com a confluência de confusos sentimentos que trazes em mim
Inquieta com a inquietude que assombra tudo o que à nossa volta está
E com a quietude que por vezes também espreita
Desinquietas-me por te inquietar e por não te inquietares
Deixa-me que te desinquiete
Esta passagem a que chamam vida é melhor assim.
Por isso, vem. Dá-me a mão. Inquietemo-nos na quietude de todos os momentos que por vir estão.
Inquieta com a inquietude que assombra tudo o que à nossa volta está
E com a quietude que por vezes também espreita
Desinquietas-me por te inquietar e por não te inquietares
Deixa-me que te desinquiete
Esta passagem a que chamam vida é melhor assim.
Por isso, vem. Dá-me a mão. Inquietemo-nos na quietude de todos os momentos que por vir estão.
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