quarta-feira, 20 de abril de 2016

Pinto-te

Pintas-me dançando nas nuvens
O cabelo preto esvoaça pela inocência do azul
Esfumas a minha essência pelos céus fora

Invejoso de tão jocosa existência minha
Pintas-te a meu lado
E ambos rodopiamos ao som da brisa que corre
Entre gargalhadas tímidas fazemos uma vénia
Continuando a passear itinerário fora

No horizonte um velhote ouve risos distantes
Carícias trocadas sem malícia
Juventude e mãos que se entrelaçam
Laços que na história ficam

Oh! – suspira ela
Pinta-me mais… Salpica um arco-íris em mim
E vem viver comigo neste quadro tão bonito, delicado, feliz
Que para mim te tanto dedicaste a fazer

Ah! – rejeita ele.
Mas minha querida… Apenas tu poderás habitar tal cenário
Eu sou só mero caminhante que, de vez em quando, passeia contigo
Por aí, despreocupado, sorridente, cedendo a teus desejos

Ainda tenho de aprender a pintar-me permanentemente contigo
Embora consiga contemplar esse paraíso
Por enquanto, sou servo da realidade

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