Sofro para dentro
E recolho-me nos mais profundos recantos do meu interior
Pois em tantas vezes que me escapou a dor para o exterior
Em nada fui ouvida, em nada fui acreditada
Em nada fui auxiliada, em nada fui acarinhada
Todos as mágoas guardo
Todo o peso carrego
Sou sozinha, sou alma continuamente lutadora
Sou dor, sou lágrimas, sou soluço
Sou menos merecedora que os outros
De ter as minhas dores acolhidas
De as ter compreendidas
Sou pano velho rasgado
De quem muitos alguéns se desfizeram
Sou saco de porrada
Sou mulher da noite desesperançosa
Sou filha sem ser
Sou o mundo e sou o universo
Sofro. Para dentro. Por dentro. Dói-me. Fisicamente. Psicologicamente.
Sofro calada. Sofro parada. Sofro escondida. Sofro mascarada.
São dores internas e interiores as que trago. São velhas e algumas recentes. São frágeis e algumas fortes. Foram machucadas e algumas negligenciadas. Mas vivo. E resisto. E estou de pé. E o vento não me abate. E a chuva limpa-me a alma. Limpa-me a cara. E o céu abrirá. O sol virá. Os raios em mim penetrarão. E todas as dores se irão...
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