domingo, 28 de fevereiro de 2016

É uma questão de sobrevivência

Hoje vou-me afogar em música
Para não me afogar nos espaços conceptuais em branco que deixaste em mim.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Corrente de pensamentos espontâneos (produto de debates estimulantes)

3 WAVES

  What makes shadows different from the waves from a cat walking through the city?
  And subjects like sex and violence are keywords to spontaneous metaphores.
  Are psychological ideas only images of reflections?
  Awareness and senses combined endanger our stories. We clash. We are being robbed.
  Improvised faces, explicit souls.
  Freedom is a social construction. They inject the longing for independence in our minds.
  We struggle. We beat and are beaten. This is all an artistic way of exposing shadows.
  Abandon the masses and try to discover your own self in this mercyless world.

  This is a new dawn.


  We still fail to perceive the major importance of being.
  That's the thing about shadows: it's about real people and real life.
  Think of human condition, think about the ways we are objetified.
  It's a vicious circle. They don't seem to find a way. Failed characters become independent successful humans. We study them. We are them.
  Rain pores above us all. But for some, the rain is heavier. This weight we carry is a benefit. It grows us.
  There's a connection between everything. We wander around desperate for an answer. We crawl a path of undesired love. We use jazz. We use improvisation. References to death. Our whole life we go through volatile periods. The world is in crisis. We are in crisis.
  There's a million voices inside our heads and all around us. Which one do we follow?

  This is all a question of identity.

Impulsos de poetisa

Eu não sei se não sei 
Ou se não quero admitir
Que por ti o meu coração anseia. 

Estou numa trama tempestal comigo mesma 
Entre o descobrir ou não descobrir 
Se quero descobrir-te 
Se quero cobrir-te. 

Mente envolta em mil furacões 
Que me querem levar para junto de ti 

Mãos que se tivessem pernas corriam de relance para as curvas suaves da tua face docemente sorridente. 
O teu aroma ainda vive em mim. Este fogo misterioso que me habita decidiu alimentar-se dele. E fazer-me desejar-te inimaginavelmente mais. E mais. E mais.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Significados por encontrar. Exploração nua da alma

Caído no chão
Foi encontrado o cigarro que ela deixou
Na rua dos amores perdidos e das flores mortais
Solo enigmático aquele
Em que a vida dela desabou
Sem que os olhos pudessem ver
Sem que a índole pudesse sentir
Expirada de fôlego
Não se pôde reerguer
De longe um assobio chamou-a
Levantou-a, viajou-a
Foi arrastada sem pudor sem vontade
Num canto escuro, ali o vento misterioso que a trouxera
Abandonou-a mais uma vez
Não sem antes a ter abraçado
Para que lhe doesse ainda mais
A saída inexplicável imprevisível
De seres, de cigarros
Destinados a caírem no chão
E a lá ficarem.

Aqui jaz o cigarro da Ana. Aqui, ali, acolá jazz a alma dela.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Note to self

"Para quê correr ansiosa e esforçadamente em tantas direcções? 
 Com que esforço ou preocupação corre e chega a cada instante o rio ao mar?"

Thanks Miguel F.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Complexidades

Num mar de infinitas incertezas
Encontrámos um porto de abrigo comum
Entre risos e conversas confusas
Selámos o enigma e tornámo-nos num

Pouco sei de ti, mas mais almejo saber
Tudo acerca de ti aparenta exalar algo por desvendar
E há um desejo chato em mim de te decifrar

Duas almas elevam-se quando se encontram
Viajaste-me por um caminho só teu
Cheio de incógnitas, contudo, senti-me mais perto de ti
Num abraço que foi só meu

São noites imprevisíveis como esta de que é feita a vida
São de explorações por complexidades de que a minha índole se constrói
É de mim querer que em mil te desmanches
Que me mostres por trás da tua alma escondida
Fragiliza-te nos meus lábios
Vem...
Tenho algo semelhante para te mostrar
Também me queres desvendar?

domingo, 31 de janeiro de 2016

A.M.

Estou aqui longe
E sinto saudade
Mesmo que perto estivesse
Ela não desapareceria

Dentro de mim há uma confusão
Milhões de códigos indecifráveis
Turbilhão de emoções descontroladas

Pairava o teu aroma no ar, pela manhã
E a única certeza com que consegui ficar durante o dia todo
Foi que nos teus braços queria estar

Serão formas de carência?
Será que me estou a perder no teu mar?

Eu não sei. Só sei que cada vez que me beijas, beijas-me como quem quer amar.

Que maneira mais linda existirá de renascer? Por favor, vem-te perder no meu ser.

(Serra da Estrela, 30 de Janeiro de 2016)

sábado, 16 de janeiro de 2016

Urgência poética

Mas meu querido, eu sou todos os tipos de profundo
Se pudesse escrevia poesia em todas as partes do teu corpo com a minha boca
E enquanto a tua alma flutuaria pelos recantos dos doces murmúrios que gemo
O meu espírito elevaria-se aos céus negando a existência de outra poesia tão forte quanto a nossa

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Pequeno apontamento sobre 2015/2016



Ano de mudanças
Rupturas, reencontros
Ano de perdidas esperanças
Tempo de novas andanças
Aproximam-se novas danças
Por mim interpretadas
Em novos itinerários
Onde me reencontrarei
Livre, solta, feliz
Cheia de renovadas confianças
Tudo não passará duma má lembrança
Agora sigo com segurança



sábado, 5 de dezembro de 2015

Delícias convergentes

Estava escuro e tu fizeste poesia em mim
No selar de um beijo trocámos impressões, histórias, recordações
A noite teve um desenrolar que culminou naquele fim
Manchámo-nos mutuamente de desejadas emoções

Impulsos em horas ébrias
Imagens enevoadas pela bebida e gargalhadas
Toda eu me tornei desinibida
Aos murmúrios que secretamente me sussurravas
Todo tu te tornaste inconscientemente consciente

São de momentos impulsivos de que a vida é feita
São de noites surreais que saímos surpreendidos
Eu saí plenamente satisfeita, pois...
Rebobinámos tensões e daí saímos renascidos

A delícia do teu suave escorregar pela minha boca
Permaneceu nos confins do meu ser
Mas não te deixes enganar por uma louca
Doida, sedenta, pelos calafrios
Pelos arrepios
Que pelo meu corpo correram
Enquanto me saciavas luxuriantemente
Cada ânsia em mim ardente

Foi o teu apetite voraz
O teu sentido desnorteado
Foi a minha boémia mente
Foi tudo e foi nada
Que nos levou a consumirmo-nos insaciavelmente
Naquela noite de aleatória poesia convergente

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Quero-te

Tudo arde e se enchama em mim 
Cada linha do meu corpo chora 
Pede, súplica por um toque teu 
O sangue corre-me freneticamente 
Tudo em mim enlouqueceu

Respiro sede e expiro desejo 
Cada batimento do meu coração 
É uma onda de arrepios que chamam somente por ti 
Que chamam sem noção 
Que imploram sem fim

A razão desinstalou-se do meu ser 
A lógica já não me habita 
A única certeza que tenho veemente
É que quero que de mim te apoderes 
Loucamente, fogosamente e ardentemente 

Sou tua e tu és meu 
Na entrega nos unimos 
No enlace nos formamos 
Somos amantes anónimos 
Enquanto queiramos

Imploro pelo conjunto pecado 
Que ambos podemos realizar 
Clamo por um corporal dançado 
Floreado de atração e amar


Misturemos os nossos aromas 
Exploremos os nossos recantos
Transborda-me de idiomas
Que só eu e tu partilhamos
Nos nossos luxuriantes encantos

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Sou caducifólia

Olhares perdidos pela janela
Brisas que sopram os meus pensamentos
Visões, recordações, memórias
Tudo isso varrido pelos ventos

Sítios que passo
Laços que desfaço
Alma que grita
Que mais aqui não fica!

Frágeis pétalas de mim
Caem timidamente ao redor
Por onde caminho, as espalho
Para que as ruas saibam o que valho

Perpétuas são as sementes que deixo
Planto-as em tudo o que amo
E até naquilo que não amo
Quiçá por falta delas em mim própria

Desconheço o rumo para o qual me dirijo
Peregrino desesperançosamente
Paradoxalmente esperando
Que a meta seja de júbilo intempestivamente

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Anoiteceres que (re)nascem


Existem flores que ainda não descobriram
Que o seu desabrochar está breve
Ao somente existirem inspiram
E tornam a própria existência de outrens mais leve

Existem almas que deixam rastos de aromas
São eles feitos de amor, iluminação, delicadeza
Existem gestos e acções carregados de sintomas
De trágicas índoles cheias de grandeza

Poderá coração perturbado
Ser de tal forma inspirado
Ingenuamente acarinhado
Por existências inesperadas
Em sítios de grande alvorada?

Explosões de gratitude rebentam dentro do meu ser
Mal ele sabe que o seu espírito introvertidamente doce
Libertaram em mim espasmos de criatividade, desejos de viver
Após uma longa luta... Renascer!

Ao Li.
(desenhos da sua autoria)


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

(Revira) Volta

  É inevitável: eu amo mais aos outros que a mim própria.
  Numa tentativa de me afastar duma pessoa possivelmente tóxica para mim e para a minha felicidade, sou confrontada com um desejo profundo de a ajudar, de a auxiliar, de a reamar. Sou mares de carinho e de esperanças forçosamente renovadas. Sou espelho de almas quebradas, enfermeira voluntária dos seus cacos. Sou auto-doação de apoio, ombro. Talvez por tantas vezes ter caminhado à deriva perdida, por também eu própria ser imperfeita e quebrada... Talvez seja por isso que em mim reside uma necessidade melancólica de a todos amar.
  Contudo (!) deparo-me com a existência de reações e comentários alheios, muitas vezes mal-vindos. Se calhar devia saber o meu lugar, conhecer a minha posição. Não interferir na maneira como a vida decorre e deixar cada coisa e cada qual em seu sítio. Não é a minha natureza, no entanto. Nasci para sentir tudo fortemente. Inclusive e principalmente o amor. E eu amo-te.
  O meu maior desejo é a tua felicidade. A minha maior esperança é que decidas ajudar-te e que faças escolhas saudáveis para ti. O meu pedido aos ventos é que eles te tragam de novo para os meus braços. E que as nossas mãos voltem novamente a dançar harmoniosamente acompanhadas da doce melodia dos nossos risos.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Solidão desmedida

Foste para Londres. Foste para Longe.
Sou apanhada de rompante, chocada, conturbada. Sou avisada sem carinho, sem alento, sem tento.
Sou um mero acaso, um pedaço de coisa insignificante. Especial e chegada sem o ser. Fui recosto, porto de abrigo. Fui fonte de abraços, de amor, apoio incondicional. Beijos calorosos, sorrisos confortáveis e gargalhadas leves. Fui espelho de alma, fui tudo. Ao meu ver, fui-te tudo.
Sem sombra de dúvida, sou das quem mais te quer, das quem mais te ama. Sou tua irmã, tua mãe, tu amiga sem fronteiras. O meu coração e admiração por ti se expandiram mil vezes.
[MAS]
São frequentes ilusões e sonhos imaginários os cenários e sentimentos que construímos nas nossas cabeças. Sobre ti e por ti sonhei e acreditei. Amei-te e preocupei-me. Por ti, vivi. Por ti, não morri.
Longe voou o tempo em que me abrias os braços. Talvez nunca tenha existido de verdade. Talvez eu tenha sido uma distracção, uma conformidade, um "dá-jeito". Talvez... Talvez... Talvez...

sexta-feira, 31 de julho de 2015

As melhores coisas acontecem por acaso












O dia termina e tu não estás
Foram carícias e beijos trocados
Que alimentaram algo dentro de mim
Que nem sabia que existia

Foram palavras soltas e risos sinceros
Mãos dançantes e tempo atemporal
Ternura calorosa e saciação de desejos
Laços de almas contados e desnudados

O céu cai
A maresia que vem é fria
E tu não estás
Mas, já, em mim uma parte tua habita

E encho-me de uma amenidade quente.



terça-feira, 14 de julho de 2015

Miscelânea de pensamentos soltos

Ninguém me pode perder, sendo que já estou perdida.




A partir do momento em que alguém teve algum impacto na minha vida, para sempre em mim habitarão. É-me inevitável.




Somos almas rotas, por aí deixando rastos de amor indesejados.




Fonte inesgotável de força e de brandura. Abraço e colo que perdura. Embora a vida dela seja dura.




Índole dançante, pelo vento levada de rompante.




Natureza selvagem, carismática; contudo, sublime, delicada.




Risada leve e acolhedora. Olhar tristemente doce. Conhece as agonias da amargura da vida. E como tal, tenta diminuí-las aos demais.




Alma espelho de um cemitério de flores. Tenta, desesperadamente, regá-la. Ressuscitá-la. 




Mente de fel, explosiva, outrora destrutiva e tóxica. Coração de mel, luta por harmonia, agora aliado e empenhado no alcance da serenidade.




A chuva não pára. Os raios tudo fazem estremecer. A tempestade é abismal. Toda a sua alma assemelha-se a um relatório de meteorologia. A atmosfera carrega-se de nostalgia.

Dores internas interiores



Sofro para dentro
E recolho-me nos mais profundos recantos do meu interior
Pois em tantas vezes que me escapou a dor para o exterior
Em nada fui ouvida, em nada fui acreditada
Em nada fui auxiliada, em nada fui acarinhada

Todos as mágoas guardo
Todo o peso carrego
Sou sozinha, sou alma continuamente lutadora
Sou dor, sou lágrimas, sou soluço

Sou menos merecedora que os outros
De ter as minhas dores acolhidas
De as ter compreendidas
Sou pano velho rasgado
De quem muitos alguéns se desfizeram

Sou saco de porrada
Sou mulher da noite desesperançosa
Sou filha sem ser
Sou o mundo e sou o universo

Sofro. Para dentro. Por dentro. Dói-me. Fisicamente. Psicologicamente.
Sofro calada. Sofro parada. Sofro escondida. Sofro mascarada.
São dores internas e interiores as que trago. São velhas e algumas recentes. São frágeis e algumas fortes. Foram machucadas e algumas negligenciadas. Mas vivo. E resisto. E estou de pé. E o vento não me abate. E a chuva limpa-me a alma. Limpa-me a cara. E o céu abrirá. O sol virá. Os raios em mim penetrarão. E todas as dores se irão...

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Divagações

  "Quando começo uma linha de pensamento tenho sempre tendência a segui-la como a imagino e estende-se..." - confessou-me um amigo.


  Que infinidade terão os nossos pensamentos? E em comparação... Que limites tem a vida de cada um de nós? Dois elementos com durabilidades e extensões diferentes. Que por vezes entram em conflito, em confronto direto.
  O enorme prazer que se retira das divagações é que estas são capazes de nos levar a nenhuma conclusão, assim como a várias. Levam-nos a viajar, a revisitar, a sentir, a chorar, a sorrir. Despem-nos a alma e retiram cada camada com todo o cuidado possível. Cada detalhe, cada diferença conta. E por todos esses caminhos por onde nos levam as divagações, perdemo-nos e encontramos quem somos, algures, de novo.
  Refletimos, cismamos, partilhamos, concebemos, criamos. Somos, existimos, crescemos. Amamos, odiamos, revoltamo-nos. Explodimos, confundimo-nos, elucidamo-nos. E por fim... A paz. A calma. A solenidade e a plenitude.
  São estas viagens pelos recantos da nossa mente, que nos constroem, que nos unem, que nos edificam.
  As divagações da alma são o combustível necessário à vida humana.



Devaneios



Olha onde estás agora
Respira fundo, procede
Nada há para além daquilo que já foi
Daquilo que magoou

São empurrões violentos
Aqueles que as circunstâncias da vida dão
Pedaço de coisa rasgada em reconstrução
Tornam-se as nossas almas em vão

O céu tão depressa chora
Como uma moça cora
Às indulgências inocentes
Dos ingénuos crentes