Estava escuro e tu fizeste poesia em mim
No selar de um beijo trocámos impressões, histórias, recordações
A noite teve um desenrolar que culminou naquele fim
Manchámo-nos mutuamente de desejadas emoções
Impulsos em horas ébrias
Imagens enevoadas pela bebida e gargalhadas
Toda eu me tornei desinibida
Aos murmúrios que secretamente me sussurravas
Todo tu te tornaste inconscientemente consciente
São de momentos impulsivos de que a vida é feita
São de noites surreais que saímos surpreendidos
Eu saí plenamente satisfeita, pois...
Rebobinámos tensões e daí saímos renascidos
A delícia do teu suave escorregar pela minha boca
Permaneceu nos confins do meu ser
Mas não te deixes enganar por uma louca
Doida, sedenta, pelos calafrios
Pelos arrepios
Que pelo meu corpo correram
Enquanto me saciavas luxuriantemente
Cada ânsia em mim ardente
Foi o teu apetite voraz
O teu sentido desnorteado
Foi a minha boémia mente
Foi tudo e foi nada
Que nos levou a consumirmo-nos insaciavelmente
Naquela noite de aleatória poesia convergente